Entra em vigor nesta sexta-feira (6) a transição do sistema de regulação da Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis (Semusa) para o Saúde Integrada de Goiás (Sigo).
Instituída pela Portaria nº 205/2026 e respaldada pela Lei Estadual nº 23.585/2025, a plataforma do Governo Estadual passa a centralizar os pedidos de consultas especializadas, exames de média e alta complexidade e internações sem custos de manutenção para o município.
A implementação começa pelas 49 Unidades Básicas de Saúde (UBS), após etapas de adequação de infraestrutura e capacitação de servidores. Já a rede conveniada e contratada deve ser integrada de forma gradual, conforme o avanço dos treinamentos.
Unificação de filas
A promessa do Executivo municipal e do Estado é unificar os cadastros, anteriormente divididos entre a rede própria, o governo estadual e pactuações com a capital, para evitar duplicidade de pedidos e perda de registros.
Pelo novo fluxo, a promessa da gestão é que o cidadão já saia da consulta na UBS com os exames laboratoriais e de raio X agendados diretamente no posto.
Nos casos que exigem análise de reguladores, a confirmação virá por mensagem enviada por número oficial de WhatsApp.
Com a marcação presencial na atenção primária, o tradicional “Zap da Saúde” perde a função de agendamento, passando a prestar orientações gerais.
Para tentar conter a demanda reprimida, o município anunciou ainda um mutirão com 15 mil exames e atendimentos em contraturno.
Conforme noticiado pela Rádio São Francisco 97.7FM nos últimos meses, as filas constituem grande parte das reclamações da população que depende dos serviços de saúde do município.

Mudança levanta dúvidas
Na prática, contudo, a migração traz pontos críticos que exigem acompanhamento. O novo modelo adota a classificação de risco clínico como critério dinâmico de priorização, o que significa que novos casos graves podem empurrar solicitações antigas para posições inferiores na lista.
Além disso, embora a gestão mencione um processo de “conciliação e migração” dos dados do sistema antigo, o documento oficial e os anúncios da secretaria não explicam como a ordem de chegada e o tempo acumulado de espera serão preservados no novo sistema, deixando em aberto as garantias de transparência para quem já aguardava atendimento.
Diante das lacunas operacionais e do impacto direto na população, a reportagem formalizou questionamentos à Prefeitura de Anápolis e aguarda retorno.
Leia mais
Vereadores divergem sobre saúde em Anápolis enquanto pacientes relatam espera por atendimento