ANÁPOLIS GOIÁS
MADRUGADA SERTANEJA
Atualizado em 17/10/2023 - 10:17

Com o retorno das chuvas, muitos anapolinos já começam a perceber o maior número de animais peçonhentos. Escorpiões, insetos, aranhas, e serpentes que aparecem nas casas, provocando um verdadeiro terror para algumas pessoas. A especialista em animais selvagens e coordenadora de Fauna da prefeitura de Anápolis, Elisângela Borovoski, mais conhecida como Doutora Selvagem, explica a forma correta de agir nestes casos.

“Chamamos de peçonhentos aqueles animais que possuem alguma forma de agulha para inocular as toxinas, como um dente ou ferrão. Os animais venenosos possuem substâncias tóxicas em algum local de seu corpo, que podem ser absorvidas ao ingeri-los ou pelo toque, como é o caso de certos sapos”, explica a especialista.

Conforme a lei 9605, que trata dos crimes ambientais, é proibido matar qualquer animal silvestre. No entanto, como destaca Elisângela, a portaria 146 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) permite a exterminação de animais sinantrópicos (que vivem próximos às habitações humanas, as pragas urbanas) quando estes oferecem risco à saúde da população.

Sobre os escorpiões

O escorpião amarelo ajuda no controle das baratas (Foto: Reprodução / Prefeitura de São Paulo)

Conforme a doutora Selvagem, em todo o Centro-Oeste os escorpiões amarelos são uma das maiores preocupações. Trata-se de uma espécie venenosa que se prolifera em acúmulos de lixo e entulho. “A chuva e o aumento brusco da temperatura que vivemos nos últimos dias são condições que propiciam a reprodução destes animais”, afirma.

“A picada do escorpião provoca uma dor muito intensa, pior que a de aranhas ou serpentes. Portanto, a recomendação imediata é chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) via 192 e lavar o local da picada, aplicar compressa de água morna e pomada anestésica ajudará a controlar a dor”, informa.

Elisângela adverte ainda que não se deve jamais fazer incisões na pele ou tentar sugar o veneno, a necessidade imediata é de atendimento médico, com soro antiescorpiônico. Além disso, idosos e crianças tem a maior chance de morte, já que o veneno de escorpião pode provocar parada cardiorrespiratória.

“O escorpião é predador natural das baratas e não sai atacando as pessoas, mas se você pisar sem querer sobre ele, o mecanismo de defesa deste animal será a peçonha.Trata-se de um aracnídeo com hábitos noturnos, de forma que muitas vezes será encontrado ao ligar as luzes”, explica a especialista.

Então, o correto a se fazer nestes casos é entrar em contato com o Zap da Prefeitura e solicitar uma equipe que irá até o local para identificar e capturar o escorpião, além de oferecer orientações quanto ao motivo da aparição.

Formas de prevenção

“Recomendamos que se mantenham os quintais sempre limpos, capinados, sem materiais de construção ou entulhos. É importante checar calçados, o local onde se vai dormir e evitar que o cobertor toque o chão. Na zona rural o risco é ainda maior, por isso os trabalhadores rurais devem usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, como botas grossas e de cano alto”, afirma.

Elisângela ressalta ainda que instalar telas em janelas e portas, além de fechar aberturas como ralos e rachaduras são medidas eficientes para evitar a entrada dos escorpiões.

Um aliado pouco conhecido no controle dos escorpiões é o gambá-de-orelha-branca. Essa espécie que se reproduz por volta do mês de setembro, de forma que no fim do ano há uma grande quantidade de filhotes e alguns deles acabam entrando em casas atrás de abrigo ou comida.

“Não mate os gambás, estes marsupiais são importantes controladores biológicos que se alimentam de escorpiões, aranhas e até serpentes“, explica a doutora. Veja o vídeo.

Em caso de encontro com gambás, deve-se ligar para a Diretoria do Meio Ambiente (62 3902-5684) ou para o Corpo Militar de Bombeiros (193). Além disso, qualquer dúvida quanto ao aparecimento de animais silvestres ou sinantrópicos pode ser sanada pelo Centro de Zoonoses de Anápolis (62 3313-1336).

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