ANÁPOLIS GOIÁS
MANHÃ DA SÃO FRANCISCO
Golpe aplicado pelo Telegram envolvia um site de supostos "leilões". (Foto: Reprodução / Getty Images)
Golpe aplicado pelo Telegram envolvia um site de supostos "leilões". (Foto: Reprodução / Getty Images)

Um homem de Anápolis perdeu quase R$ 10 mil em um golpe aplicado através do aplicativo de mensagens Telegram. Em entrevista anônima concedida à Rádio São Francisco 97,7 FM, o homem, que será chamado de ‘Marcos’, detalhou como foi enganado pelos golpistas.

Tudo começou com uma mensagem no WhatsApp oferecendo uma oportunidade tentadora: ganhar até R$ 1.500 por mês apenas curtindo e comentando postagens no Instagram e no YouTube.

“Eu estava passando por dificuldades e pensei: ‘Sou uma pessoa informada, não vou cair em um golpe. Não vou dar dinheiro para ninguém'”, explicou a vítima.

A princípio, pediram para Marcos apenas a chave do Pix. “Me disseram que eu ganharia R$ 2 por curtida e que, depois de completar 20 curtidas, o valor aumentaria para R$ 5. E realmente, eu completava as tarefas e recebia o dinheiro”, contou.

No entanto, depois de algum tempo, os golpistas pediram para ele abrir uma conta no Telegram e participar de um grupo no aplicativo. Foi então que informaram a Marcos que ele havia atingido um novo nível e ganharia mais dinheiro participando de “leilões” em um site indicado no grupo.

Falsos leilões

“Me disseram que, nesses leilões, eu deveria comprar um determinado produto e que receberia o valor gasto mais uma comissão de 50%. Foi a primeira vez que me pediram para usar meu próprio dinheiro”, contou o homem.

Marcos explicou que o golpe é complexo e envolve diversas fases com o objetivo de ganhar a confiança da vítima. “No primeiro leilão, comprei um produto no valor de R$ 50 e, pouco tempo depois, recebi de volta o dinheiro, mais os R$ 25 prometidos. Enquanto isso, pessoas no grupo do Telegram postavam que estavam ganhando até R$ 3 mil e estavam ansiosas para um tal leilão de quatro etapas”, relatou a vítima.

Os “leilões” funcionavam de forma semelhante a um jogo de azar. O site pedia para que as vítimas “comprassem” produtos diversos em sequência, com a promessa de que o lucro seria liberado apenas no final.

“Quando anunciaram este leilão, eu entrei. Na primeira etapa foram R$ 100, apareceu para mim que eu receberia R$ 150. Na segunda já eram R$ 600, eu receberia então R$ 900. Na terceira etapa, deveria comprar um objeto de R$ 4 mil e o site me mostrou que eu receberia R$ 6 mil. Aí, quando fui para a última etapa, o valor era ainda maior, e quando fui realizar a compra, estava indisponível”, contou Marcos.

A vítima tentou conversar com as pessoas do grupo no Telegram, mas disseram que, como ele não tinha chegado ao fim do leilão, não poderia retirar o dinheiro. A vítima já havia transferido mais de R$ 9 mil via Pix. Além disso, o valor que Marcos perdeu veio de um cheque especial, de modo que ele ainda terá que pagar juros.

Delegado reforça que vítimas devem registrar boletim de ocorrência

Quando percebeu que havia caído em um golpe, Marcos registrou um boletim de ocorrência online e entrou em contato com o banco para tentar reaver o valor. Após três dias, a instituição informou que não conseguiria devolver o dinheiro, porque o saldo não estava mais nas contas para onde Marcos havia feito a transferência.

O delegado e coordenador da Central de Flagrantes de Anápolis, Rafael Barbosa, explica que, apesar de não ter conseguido a devolução, Marcos agiu corretamente ao perceber o golpe. “Quem cair em um golpe deve fazer um boletim de ocorrência online e procurar o banco o mais rápido possível. Em alguns casos, o valor pode ser reavido”, disse o delegado.

“Fiquei no prejuízo e estou envergonhado, mas queria contar esta história para que outras pessoas não passem pelo que estou passando”, disse ainda a vítima.

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