Valteir Guilherme de Morais (à esquerda) foi condenado por matar o amigo Valdison Nunes (à direita) (Foto: Jonathan Cavalcante e reprodução)
O Tribunal do Júri de Anápolis condenou Valteir Guilherme de Morais a 20 anos, 8 meses e 16 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato de Valdison Miguel Nunes e pela ocultação do corpo da vítima que tinha 54 anos.
Conforme ficou comprovado, o crime aconteceu no fim de novembro de 2023, após ambos consumirem bebidas alcoólicas juntos.
Segundo as investigações, a vítima foi morta a pauladas, de surpresa, enquanto estava sentada e sem chance de defesa.
Após dias de angústia e buscas realizadas pela família, o corpo de Valdison foi encontrado em 7 de dezembro de 2023. Ele estava em um brejo, na região do Setor Residencial Jandaia, e foi localizado por um jardineiro que fazia a limpeza de um salão de festas nas proximidades.
Segundo familiares, os dois se conheciam desde a infância e o agressor costumava chamar a vítima de “irmão de leite”.
No julgamento realizado no Fórum Air Borges de Almeida, na última sexta-feira (3), os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Valteir, que permaneceu preso preventivamente durante a tramitação do processo, não poderá recorrer em liberdade e continuará detido para o cumprimento imediato da pena.
Após o julgamento, Valteir Guilherme de Morais foi levado de volta ao presídio sob escolta de policiais penais. (Foto: Jonathan Cavalcante)
Família diz que condenação traz alívio
Após o julgamento, o irmão da vítima, Valdeci Miguel Nunes, afirmou em entrevista à Rádio São Francisco FM que a decisão representa um sentimento de alívio e o fim de um longo período de espera para toda a família.
“Depois de quase três anos, o sentimento é de alívio, porque a gente buscava por justiça. Antes de meu pai falecer, ele dizia que acreditava 100% na Justiça. Hoje, ela foi feita. O assassino do meu irmão foi condenado e recebeu a pena que merece”, declarou ao jornalista Jonathan Cavalcante.
Valdeci Miguel, irmão de Valdison, em entrevista à Rádio São Francisco FM (Foto: Jonathan Cavalcante)
Valdeci relembrou que Valteir mantinha uma relação próxima com a vítima, chegando a chamá-la de “irmão de leite” por se conhecerem desde jovens. Segundo ele, o crime aconteceu na casa de um conhecido e de forma covarde.
“O meu irmão estava sentado, sem condições de qualquer defesa. Ele [o autor] foi buscar um pedaço de madeira e deu várias pauladas na cabeça, no tórax e em outras partes do corpo. Depois, ameaçou outra pessoa para ajudá-lo a esconder o corpo no brejo onde foi encontrado”, relatou.
Valdison Miguel Nunes foi morto aos 54 anos (Foto: Arquivo Pessoal/Família)
O irmão da vítima também lembrou a angústia do período de buscas por Valdison, revelando que chegou a conversar com o assassino enquanto procurava pelo irmão desaparecido.
“Eu encontrei com ele durante as buscas e perguntei duas vezes sobre o meu irmão. Ele segurou na minha mão e disse que fazia dias que não o via. Depois descobrimos que ele já comentava em um bar que tinha matado o meu irmão. Foi uma tragédia que não desejamos para nenhuma família. Agora queremos virar essa página”, concluiu Valdeci.