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Atualizado em 04/01/2024 - 17:40
Padre Julio Lancellotti atua há anos no atendimento da população em situação de rua em São Paulo (Foto: Reprodução / Agência Brasil)
Padre Julio Lancellotti atua há anos no atendimento da população em situação de rua em São Paulo (Foto: Reprodução / Agência Brasil)

A Câmara Municipal de São Paulo deverá abrir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar organizações não governamentais (ONGs) que atuam na região da Cracolândia. Padre Julio Lancellotti foi colocado como principal foco da CPI.  O autor da proposta é o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), um dos cofundadores do Movimento Brasil Livre (MBL).

Já foram recolhidas assinaturas suficientes para requerer a criação da CPI. O pedido foi protocolado no dia 6 de dezembro, sendo retomado esta semana após o recesso parlamentar. A Comissão ainda precisa aguardar na fila de outras CPIs da Câmara e ser aprovada em plenário.

Conforme está escrito no documento, o objetivo da CPI é “investigar as Organizações Não Governamentais que fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários que frequentam a região da Cracolândia”.

Acusações nas redes sociais

Nas redes sociais, Rubinho Nunes acusou o padre Julio Lancellotti e as ONGs de lucrarem politicamente com o caos instaurado na Cracolândia. “A CPI que estou instaurando na Câmara Municipal de São Paulo vai investigar toda essa máfia da miséria que se perpetua no poder através de ONGs esquerdistas”, escreveu o vereador.

Em outra postagem, Rubinho reagiu às críticas de internautas. “Você anda pelo centro de São Paulo e você é roubado, assaltado e existem ONGs que mantêm as pessoas em situação de rua. A Craco Resiste, por exemplo, distribui cachimbos para usuários de drogas. O Júlio Lancellotti atua como um cafetão”, declarou.

Repercussão

Em nota, o padre Julio Lancellotti reconheceu a legitimidade das CPIs, mas afirmou que não atua com nenhuma organização da sociedade civil ou organização não governamental que utilize convênio com o Poder Público Municipal. “A atividade da Pastoral de Rua é uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo que, por sua vez, não se encontra vinculada, de nenhuma forma, às atividades que constituem o requerimento aprovado para criação da CPI em questão”, escreveu o religioso.

A Arquidiocese de São Paulo manifestou preocupação em relação à possível instauração da CPI.“Perguntamo-nos, por quais motivos se pretende promover uma CPI contra um sacerdote que trabalha com os pobres, justamente no início de um ano eleitoral?”, questiona a nota da instituição, publicada nesta quarta-feira (3).

“Padre Júlio não é parlamentar. Ele é o vigário episcopal da Arquidiocese de São Paulo para o ‘Povo da Rua’ e exerce o importante trabalho de coordenação, articulação e animação dos vários serviços pastorais voltados ao atendimento, acolhida e cuidado das pessoas em situação de rua na cidade”, complementa o documento da Arquidiocese.

O líder do PT na Câmara, vereador Senival Moura, também se posicionou contra a CPI. “Essa medida parece mais uma tentativa de cercear vozes críticas do que uma busca legítima por transparência. É um claro desrespeito ao trabalho social e humanitário desenvolvido pelo Padre Júlio, que tem sido uma voz incansável na defesa dos mais vulneráveis”, escreveu em suas redes sociais.

A Craco Resiste, uma das organizações mencionadas pelo autor da CPI, informou em nota que não é uma ONG. “Somos um projeto de militância para resistir contra a opressão junto com as pessoas desprotegidas socialmente da região da Cracolândia. Atuamos na frente da redução de danos, com os vínculos criados com as atividades culturais e de lazer. E denunciamos a política de truculência e insegurança promovida pela prefeitura e pelo governo do estado”, disse.

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