Domingos Lopes Cristo, de 55 anos, carinhosamente conhecido como ‘Índio’, viveu seus últimos dias em Anápolis. Em situação de rua, ele havia deixado a região norte do país para trabalhar na construção de um viaduto na cidade.
“Era uma pessoa de coração maravilhoso, muito educada, prestativa e um companheiro nosso”, relatou Daniel de Oliveira, idealizador do projeto Irmãos Invisíveis, que atende pessoas em situação de rua.
Domingos permaneceu internado por quatro dias no Hospital de Urgências de Anápolis (HEANA), se recuperando de um engasgo com comida. Porém, apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu e faleceu na última segunda-feira (17).
Desafios e trajetória do ‘Índio’ em Anápolis
De acordo com Daniel de Oliveira, Domingos era atendido pelo projeto Irmãos Invisíveis. “O ‘Índio’ tem uma história bastante interessante. Em resumo, ele veio da região norte do país para Anápolis para trabalhar na construção do viaduto em frente à prefeitura”, explicou em entrevista ao jornalista Jonathan Cavalcante.

O homem trabalhou na construção do viaduto Deocleciano Moreira Alves, localizado entre a Rua Barão do Rio Branco e a Avenida Brasil, inaugurado em agosto de 2017. Domingos chegou a Anápolis no meio do ano, período em que a cidade registrava baixas temperaturas, especialmente durante as noites e madrugadas.
O vício e a vida nas ruas
Para enfrentar o frio, Domingos começou a consumir bebidas alcoólicas. “Por ser da região norte, onde o clima é mais quente, ele sentia muito frio aqui. Começou a tomar pinga para se esquentar, mas acabou se viciando. Quando a construção do viaduto terminou, ele não conseguiu voltar para casa”, completou Daniel.
Desse modo, o vício o manteve em situação de rua, mesmo após receber conselhos e apoio de equipes de assistência social da cidade.
“Conversamos, aconselhamos, oramos muito com ele e tentamos ajudar de todas as formas, mas a escolha dele foi permanecer na rua. Fica o nosso sentimento, e que Deus possa confortar e consolar o coração de toda a família”, finalizou Daniel.

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