ANÁPOLIS GOIÁS
SHOW DA SÃO FRANCISCO
Atualizado em 27/10/2023 - 17:12
Prédio da Rádio São Francisco em meados da década de 1980 (Foto: Reprodução / Arquivo da Fundação)

A maior parte dos ouvintes da Rádio São Francisco já ouviu na programação alguma menção à Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV), mas poucas pessoas conhecem a história por trás deste nome, ou a relação com a Rádio. A FFJBV é uma instituição sem fins lucrativos responsável por três rádios: São Francisco 97.7 FM, 96.3FM e Cultura 101.1 FM. As duas primeiras operam no mesmo prédio, em Anápolis; enquanto a terceira funciona em Catalão.

A Fundação Frei João Batista Vogel pertence à Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil, assim como a Rede Educacional Franciscana (REF), colégios São Francisco de Assis (Anápolis), Sagrado Coração de Jesus (Pires do Rio) e Santo Antônio (Brasília), e a Fundação de Assistência Social de Anápolis (FASA), Santa Casa de Anápolis. A história das instituições e a presença franciscana no Centro-Oeste está descrita em detalhes no livro História. Raízes. Celebração, que pode ser acessado na íntegra, de forma gratuita.

Rádio São Francisco

Curiosamente, a Rádio São Francisco e a Rádio Cultura são mais antigas do que a Fundação Frei João Batista Vogel. A intenção dos frades era estabelecer na região de Anápolis um meio de comunicação para divulgar conteúdo educativo e de evangelização e, por isso, foi fundada a Rádio Sant’Ana, com a primeira transmissão no Natal de 1958.

Em 1961, o então ministro provincial Frei Pedro Schoffer enviou ao governo uma proposta para aumentar a potência e o alcance da Rádio. A ideia era funcionar a 5000 watts durante o dia e 1000 watts durante a noite. Como a proposta foi recusada, a organização contratou um engenheiro. O profissional apresentou a frequência 670 kilohertz como uma possibilidade, que foi enviada novamente para aprovação da Comissão Técnica de Rádio, em 1962. Entretanto, em virtude da ascensão da Ditadura Militar, em 1964, houve atraso para liberar a documentação.

Já era 1965 quando finalmente obtiveram a permissão para instalar a infraestrutura da emissora, que operaria na sintonia 670 AM. Para que a Rádio funcionasse de forma regular, era necessário aprovar um processo legal de abertura. Isso só poderia ser feito no Rio de Janeiro, através de um procurador.

Simultaneamente, a marca e o processo da Rádio São Francisco, iniciados pelas irmãs Jacira Aparecida da Cunha, Maria Auxiliadora da Silva e Maria Ferreira Barbosa, foram cedidos em doação aos frades franciscanos. Assim, no momento do envio da documentação, o procurador tinha em mãos dois processos de abertura de emissoras de rádio. Como só havia uma frequência disponível, era necessário escolher uma das marcas.

A decisão coube ao procurador da Fundação Frei João Batista Vogel no Rio de Janeiro, que optou por enviar o processo referente à Rádio São Francisco, simplesmente porque o documento estava completo, ao contrário dos procedimentos da Rádio Sant’Ana. Motivo da mudança no nome. Os direitos para explorar os serviços de radiodifusão, na frequência de 670 kilohertz, com a potência de 5.000 watts foram reconhecidos meses depois no Diário Oficial da União. No entanto, em 1967, o governo militar abriu um inquérito que paralisou os processos de vários veículos de comunicação, incluindo a Rádio São Francisco.

Somente em 1º de março de 1971, aproximadamente 10 anos depois do primeiro processo, a Rádio São Francisco entrou no ar. O primeiro slogan foi “Emissora Sorriso”. Uma vez estabelecida, a Rádio precisava se organizar internamente e ganhar mais espaço na região. O primeiro diretor da emissora foi Frei João Batista Vogel, de onde vem o nome da Fundação, como uma homenagem.

Frei João Batista Vogel

Frei João Batista Vogel, primeiro diretor da Rádio São Francisco

Frei João Batista Vogel nasceu em Buffalo, cidade no norte do estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, e começou cedo a vida religiosa. Foi ordenado sacerdote aos 24 anos, em 1945, e lecionou por seis anos na então recém fundada “Bishop Timon High School” (Ensino Médio). Ao ser convocado para servir no Brasil, o frade passou um ano em Pires do Rio. Em seguida, trabalhou no Colégio São Francisco, em Anápolis, onde lecionou por mais oito anos antes de se tornar o segundo diretor da instituição de ensino.

Nesta época, Frei João Batista Vogel já se destacava pela proatividade e domínio da língua portuguesa. Foi encarregado de organizar um curso de aculturação para missionários estrangeiros no Brasil. O Centro de Formação Intercultural (CENFI) foi fundado em 1960, em Anápolis, e transferido, em 1962, para Petrópolis, no Rio de Janeiro. O CENFI mudou de localização repetidas vezes ao longo dos anos de 1965 a 1995, quando foi agregado ao Centro Cultural Missionário – Órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A instituição funciona atualmente em Brasília.

Após contribuir com a fundação e estabelecimento do CENIF, o frade voltou a Goiás em 1965, como pároco da paróquia de Nossa Senhora da Abadia, em Quirinópolis, cargo que ocupou por seis anos. Neste período, Frei João Batista Vogel contribuiu com movimentos como os Cursilhos de Cristandade, Legião de Maria e Renovação Carismática Católica. Foi convocado em seguida a voltar para Anápolis, onde dedicou aplicou as habilidades didáticas e de comunicação no apostolado radiofônico e se tornou o primeiro diretor da Rádio São Francisco.

Como pioneiro, o frade americano pavimentou o caminho a ser seguido por seus sucessores: promover a educação e a evangelização através do rádio, com alegria e leveza. Sua própria voz esteve na sintonia da rádio até 1975, quando, após descobrir que estava com leucemia, o Frei retornou aos Estados Unidos para tratar a doença. Infelizmente o câncer era de um tipo agressivo e ainda pouco conhecido pela ciência. Frei João Batista Vogel morreu aos 54 anos, no dia 25 de novembro de 1975, em Boston. 23 anos de sua vida foram dedicados à igreja, .

O legado de Frei João Batista e suas contribuições para a educação, a evangelização e a cultura foram reconhecidos em diferentes cidades goianas. Além da Fundação Frei João Batista Vogel, há uma rua Frei João Batista Vogel no setor Rosa dos Ventos em Aparecida de Goiânia. Em Quirinópolis, a Avenida Frei João Batista é uma das principais vias do setor central do município. Em Anápolis, o Colégio Estadual Polivalente Frei João Batista, no bairro Maracanã, também homenageia o frade.

Rádio Cultura e Rádio 96FM

O sucesso da Rádio São Francisco, em Anápolis, motivou os frades a expandirem o apostolado radiofônico. A oportunidade surgiu em 1965, quando a Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil comprou os equipamentos e direitos da Rádio Cultura, em Catalão. O primeiro programa da rádio foi ao ar no dia 6 de junho daquele ano. A emissora tem programação e estilo musical semelhantes à Rádio São Francisco e, como essa, conquistou rapidamente a audiência e o carinho da população.

Buscando atingir os públicos mais jovens em uma cidade em expansão, a então já existente Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV) decidiu lançar uma nova emissora, com uma programação musical focada em música pop e rock. Assim, após nova organização e processo jurídico, no dia 31 de julho de 1976, dia do aniversário de Anápolis, aconteceu a inauguração oficial da emissora 96.3 FM.

Rádios de Resultado

Em 2017, a FFJBV criou a marca Rádios de Resultados com o objetivo de organizar e modernizar as relações comerciais das três emissoras. Uma vez realizada a mudança da sintonia AM para a FM, com melhor qualidade e alcance, o potencial comunicativo das três rádios aumentou exponencialmente.

Dias atuais

O sucesso da Rádio São Francisco foi quantificado em uma pesquisa do Instituto Voga Brasil. Os dados afirmam que 70.1% dos anapolinos escutam rádio e a São Francisco é a mais ouvida de Anápolis. Desse percentual, 19.2% preferem a 97.7 FM enquanto 15.6%, a 96 FM. Dessa forma, as emissoras são, respectivamente, a primeira e a segunda rádios mais ouvidas da cidade.

A Rádio São Francisco fica localizada na Rua 1° de Maio, n° 30, no centro de Anápolis, onde funciona desde a inauguração, há mais de 50 anos. Ouvintes visitam com frequência os estúdios e conhecem de perto seus locutores preferidos, além de aprenderem mais sobre a rádio.

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