O clima de Copa do Mundo já começou a tomar conta de Anápolis. Moradores do bairro São Lourenço decoraram uma rua com as cores do Brasil e pintaram uma grande bandeira do país no asfalto, transformando o espaço em cenário de brincadeiras, união entre vizinhos e expectativa pelo hexa da Seleção Brasileira.
A iniciativa partiu da moradora Ana Santos, após um pedido do filho Henrique, de sete anos, apaixonado por futebol. À Rádio São Francisco, ela contou que a ideia surgiu depois de assistir a vídeos de ruas decoradas ao lado do menino.
“Eu mostrei para ele um vídeo que mostrava um pessoal fazendo uma pintura de rua e contei que na minha cidade o pessoal costumava fazer isso quando era época de jogo. O Henrique é apaixonado por futebol, muito fã do Pelé, do Ronaldinho e também do Neymar. Ele tem só sete anos e nunca viu o Brasil ser campeão”, relatou.
Segundo Ana, o filho insistiu para que a decoração saísse do papel. Um amigo do menino na vizinhança também entrou na mobilização e ajudou a convencer os adultos a participarem da ação.
“A princípio eu não dei muita moral, achei que seria difícil, mas depois ele levou essa ideia para um amiguinho dele que mora na frente, o Felipe, e eles começaram a ficar no meu pé”, disse.
A decoração começou de forma simples. Conforme a moradora, os primeiros envolvidos improvisaram com poucos materiais e muita disposição para tirar o projeto do papel.

“Começou eu, Henrique, Felipe, minhas outras filhas e minha irmã. A gente tinha dois baldes de tinta branca, uns corantes e um sonho. Fomos fazendo a mistura das tintas e começamos”, afirmou.
Memória afetiva
Com o passar das horas, outras pessoas passaram a ajudar. Crianças da vizinhança se juntaram à pintura e ajudaram a colorir o asfalto, onde foi desenhada uma grande bandeira do Brasil. “No fim, a gente estava ali com umas onze crianças brincando e correndo na rua, vivendo um momento muito legal e gostoso”, contou.
Mais do que entrar no clima da Copa, Ana detalha que o principal objetivo foi criar memórias afetivas para os filhos. Segundo ela, proporcionar esse tipo de experiência também faz parte do papel dos adultos.
“O que me impulsionou a colocar a mão na massa foi entender que a responsabilidade de criar memórias afetivas não cabe às crianças, essa é uma responsabilidade dos adultos. Se eu não fizesse isso com eles agora, eu perderia a chance de criar uma memória que acredito que vai durar para a vida inteira”, destacou.
A partir disso, a moradora acredita que a tradição pode continuar no bairro São Lourenço e ser repetida nas próximas edições do torneio. “Essa não era uma tradição da nossa vizinhança, mas eu acredito que eles vão perpetuar isso. Principalmente se o Brasil conseguir trazer o hexa para a gente. ‘Espero que a seleção faça parte deles porque eu fiz a minha’”, concluiu.
Regras
Em Anápolis, segundo informações da Companhia Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), a pintura de ruas em razão da Copa do Mundo é permitida, desde que não cubra ou interfira em sinalizações, não gere confusão aos motoristas e não ofereça risco de acidentes, sobretudo próximo a faixas de pedestres e cruzamentos.