A edição 2025 do Oscar marcou o passo mais memorável da história brasileira na principal premiação do cinema mundial. A produção “Ainda Estou Aqui” abocanhou a primeira estatueta dourada do Brasil e fez o público celebrar como se fosse mais um título de Copa do Mundo.
Porém, engana-se quem pensa que o filme de Walter Salles origina a jornada brasileira na premiação. Antes das três indicações de “Ainda Estou Aqui” neste ano, o Brasil já havia angariado outras 22 indicações em 12 categorias diferentes.
História brasileira no Oscar começou em 1945
Oitenta anos atrás, em 1945, a história do Brasil no Oscar começou com a indicação da música “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, para “Melhor Canção Original” pelo filme estadunidense “Brazil”. Três anos mais tarde, foi a vez de “O Pagador de Promessas” representar o país com indicação na categoria “Melhor Filme Internacional”.
Em 1982 e 1986 os cineastas Tetê Vasconcellos e Héctor Babenco, respectivamente, levaram o nome do país no Oscar. Dez anos depois, foi a vez de “O Quatrilho” ser indicado como “Melhor Filme Internacional”, mesmo posto de “O Que É isso, Companheiro?” em 1998.
Foi em 1999, entretanto, que o Brasil parou pela primeira vez em virtude da premiação. “Central do Brasil” se fez presente em: “Melhor Filme Internacional” e “Melhor Atriz” para Fernanda Montenegro. A felicidade brasileira no Oscar daquele ano, porém, ficou somente nas indicações.
“Uma História de Futebol” ganhou indicação inédita na categoria “Melhor Curta-metragem em Live-action” em 2001. Três anos mais tarde, outro alvoroço em terras tupiniquins: “Cidade de Deus” bateu recorde de indicações com quatro (“Melhor Diretor”, “Melhor Roteiro Adaptado”, “Melhor Fotografia” e “Melhor Edição”). Na mesma premiação, Carlos Saldanha dirigiu o indicado “Gone Nutty”.
A música “Real in Rio”, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, foi indicada como “Melhor Canção Original” em 2012. Depois, em 2015 e 2016, “O Sal da Terra” e “O Menino e o Mundo” foram indicados, respectivamente, em “Melhor Documentário” e “Melhor Filme de Animação”.
Antes de “Ainda Estou Aqui”, o Brasil figurou com nova indicação de Carlos Saldanha e nomeação de “Democracia em Vertigem”. Houve, na história, quatro coproduções brasileiras vencedoras, mas que não tiveram as vitórias creditadas ao Brasil.
Confira a lista de indicações brasileiras no Oscar por categoria
Melhor Filme:
- 2025: Ainda Estou Aqui
Melhor Direção:
- 1986: Héctor Babenco por O Beijo da Mulher Aranha
- 2004: Fernando Meirelles por Cidade de Deus
Melhor Atriz:
- 1999: Fernanda Montenegro por Central do Brasil
- 2025: Fernanda Torres por Ainda Estou Aqui
Melhor Roteiro Adaptado:
- 2004: Bráulio Mantovani por Cidade de Deus
Melhor Filme de Animação:
- 2016: O Menino e o Mundo, de Alê Abreu
- 2018: Ferdinand, Carlos Saldanha foi indicado junto à produtora Lori Forte
Melhor Filme Internacional:
- 1963: O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte
- 1996: O Quatrilho, dirigido por Fábio Barreto
- 1998: O Que É Isso, Companheiro?, dirigido por Bruno Barreto
- 1999: Central do Brasil, dirigido por Walter Salles
- 2025: Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles
Melhor Documentário de Longa Metragem:
- 1982: Tetê Vasconcellos por El Salvador: Another Vietnam
- 2015: Juliano Salgado por O Sal da Terra
- 2020: Petra Costa e Tiago Pavan por Democracia em Vertigem
Melhor Documentário de Curta Metragem:
- 2022: Pedro Kos por Lead Me Home
Melhor Curta Metragem em Live Action:
- 2001: Uma História de Futebol, de Paulo Machline
Melhor Curta Metragem de Animação:
- 2004: Carlos Saldanha por Gone Nutty
Melhor Canção Original:
- 1945: Ary Barroso por “Rio de Janeiro” do filme Brazil
- 2012: Sérgio Mendes e Carlinhos Brown por “Real in Rio” do filme Rio
Melhor Edição:
- 2004: Daniel Rezende por Cidade de Deus