Aos 39 anos, a empreendedora Eliane Lopes concilia o trabalho no segmento de bem-estar com uma missão que nasceu da dor: compartilhar sua história de superação para alertar e encorajar outras mulheres.
Nesta segunda-feira (8), ela abre a série de entrevistas da campanha “Não Me Mate! Mais uma, menos uma. Até quando?”, promovida pela Fundação Frei João Batista, dedicada à conscientização sobre a violência contra a mulher.
Em 2018, em Caldas Novas, Eliane sobreviveu a uma tentativa de feminicídio. Mas a violência física foi o ponto de chegada de um processo lento e silencioso.
Na época, ela estava desempregada, pois optou em sair de empresa na qual gerenciava mais de 30 funcionários, para se dedicar a maternidade e família.
“O abusador não me encontrou fragilizada, ele me fragilizou. Chegou um momento em que eu já não sabia quem eu era”, contou durante edição do São Francisco News.
Segundo Eliane, esse é um padrão recorrente: o agressor identifica mulheres independentes e, gradualmente, as isola e enfraquece até que elas percam a própria referência.
Pedido de socorro e sinais de violência
No dia do ataque, foi a filha mais velha quem acionou ajuda. “Quando ele me deu o primeiro soco, gritei pra ela: tranca a porta do quarto e pede socorro”, relembra, pontuando o medo de que a violência se estendesse.
A experiência ensinou Eliane a reconhecer sinais que, à época, ela ignorou. Ciúme excessivo, controle sobre roupas, isolamento de amigos e colegas e a forma como o parceiro trata outras pessoas são, para ela, bandeiras vermelhas que não devem ser minimizadas.
“Trata mal o porteiro, trata mal o cara que vai abastecer o carro. Por que com você vai ser diferente?”, questiona.
Depois do crime, ela buscou terapia e se reposicionou. “O abusador é covarde. Ele abusa de quem está mais fraco. A partir do momento em que a mulher busca ajuda e se fortalece, ela se posiciona e ele recua”, afirma.

Conscientização além das vítimas
Eliane também enxerga nas redes sociais um instrumento poderoso de conscientização e amplificação da mensagem.
“Quanto mais campanhas nesse sentido, mais corações e mentes serão alcançados. Não só de mulheres, mas de homens e de mães que vão educar seus filhos de forma diferente, para quebrar essa cultura.”
Ao final, ela deixa um recado direto: “Eu sou uma sobrevivente. E elas também podem sair e superar tudo isso. Eu poderia não estar aqui. Como muitas não tiveram essa chance.”