O delegado Manoel Vanderic Filho, da Polícia Civil, usou as redes sociais para revelar que enfrentou uma grave crise de saúde mental no início do ano passado e que, meses depois, recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos 42 anos.
Em vídeo publicado em sua conta no Instagram, o delegado contou que viveu um período de quase dois meses sem conseguir dormir, o que culminou em uma tentativa de suicídio.
“Eu tomei todos os medicamentos que eu tinha em casa”, relatou. Na ocasião, ele procurou ajuda de um amigo psiquiatra na madrugada e foi socorrido a tempo.
A situação o levou a procurar acompanhamento especializado, processo que resultou, meses depois, no diagnóstico de autismo: condição que, segundo ele, esteve por trás de dores físicas, crises de ansiedade e dificuldades de relacionamento vividas ao longo de toda a vida sem explicação plausível.
“Uma das condições para o diagnóstico é o prejuízo clinicamente considerável para a vida da pessoa. Então, a gente busca o diagnóstico não por uma vontade de se conhecer ou uma curiosidade, mas por um desespero e um prejuízo na nossa vida.”
“Autossobrevivência”
Ao justificar a postagem do vídeo, Vanderic disse ter sido uma ideia dos profissionais que o acompanham, sugestão que ele “postergou muito”, mas na qual passou a enxergar importância individual e, sobretudo, coletiva:
“Esse vídeo é uma tentativa de autossobrevivência […] E eu acredito que também seja uma oportunidade de desconstruir muitos dos preconceitos que as pessoas têm. Critica-se muito afirmando que há muito diagnóstico errado. Isso é uma falácia.”
Segundo o delegado, a maioria dos diagnósticos de autismo hoje é feita corretamente, desde que o paciente procure um profissional especializado.
Ele explica que o processo, embora clínico, segue critérios objetivos previstos no DSM-5, o manual de referência da psiquiatria.
Diagnóstico caro
O caso ganha contorno particular em Anápolis: Vanderic é justamente quem comanda a unidade policial responsável por investigar crimes de discriminação contra PCDs. E o autismo é reconhecido como deficiência por lei.
Ele usou o depoimento para chamar atenção à carência de profissionais especializados tanto na rede pública quanto na privada. Nesta última, conforme o delegado aponta, o processo de diagnóstico e tratamento é caro e pouco acessível.
“Dizem, alguns desinformados, que há uma série de benefícios para o autista. Na verdade, o custo de ser autista é extremamente maior”, frisou.
Nascido em Anápolis, o delegado Manoel Vanderic integra a Polícia Civil desde 2009 e é reconhecido pela atuação no combate a crimes de trânsito e na defesa de idosos e pessoas com deficiência.
Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.