A Polícia Civil de Anápolis confirmou que autoridades acadêmicas, diretores e secretárias de faculdades estão envolvidos no esquema de confecção e venda de diplomas falsos. Ao todo, 54 medidas judiciais foram cumpridas na segunda fase da Operação Diploma Fake, deflagrada nesta sexta-feira (21). Até o momento, instituições de ensino de Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais foram identificadas no esquema criminoso.
A primeira fase da operação, realizada em agosto de 2024, teve como alvo um assessor político e um homem que atua como pastor e era candidato a vereador na época. As informações foram divulgadas com exclusividade pela reportagem da São Francisco FM.
Oito meses depois, a Polícia Civil cumpriu 54 mandados judiciais (09 buscas e apreensões; 09 quebras de sigilo de dados e 26 quebras de sigilo telefônico). A operação deflagrada pelo Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) ocorreu nas seguintes cidades: Goiânia (GO), Palmeiras de Goiás, Goianira (GO), Mineiros (GO) Salvador (BA) e Colíder (MT).
“Os compradores escolhiam o curso de graduação ou pós-graduação, pagavam valores entre R$ 2.500,00 a R$ 4.000,00 e recebiam o diploma em poucos dias”, disse o delegado Luiz Carlos Cruz, titular do GEIC, em entrevista ao repórter Jonathan Cavalcante da Rádio São Francisco FM.
Na segunda fase, a Polícia Civil apreendeu diversos documentos, incluindo histórico escolar e diplomas, além de aparelhos eletrônicos de interesse das investigações.

Mas os diplomas tinham validade ou não?
No decorrer das investigações, a Polícia Civil de Anápolis confirmou que, de fato, os diplomas de graduação e pós-graduação eram validados.
“O que causa perplexidade é justamente esse ponto. Quando a polícia foi verificar esses diplomas junto aos sites de certificação, nós percebemos que eles existem. Ou seja, a engenharia dessa fraude passa por alimentar os bancos de dados oficiais com dados ideologicamente falsos. Dados que não existem, mas são inseridos nos bancos de dados oficiais justamente para o quê? Essas pessoas, ao usarem esses diplomas, usarem com tranquilidade. O concurso, o órgão público, a empresa que contratava esses profissionais, iam consultar e verificavam que de fato aquela graduação existia. Quando na verdade era tudo ideologicamente falso”, explica o delegado.
“Talvez com a análise agora dos novos elementos de informação, pode ser que a gente chegue a fatos novos e a pessoas novas”, finaliza o delegado Luiz Carlos, indicando a possibilidade da terceira fase da Operação Diploma Fake.
