Difícil resistir àquela vontade de cochilar depois do almoço, certo? Há muito tempo, as sonecas são elogiadas como uma ferramenta para aumentar o estado de alerta, realçar o humor, fortalecer a memória e melhorar a produtividade. Pois bem, pesquisas apontam que, embora revigorante, o cochilo da tarde pode causar mais prejuízos do que benefícios.
Se feito corretamente, cochilar é uma maneira poderosa de recarregar o cérebro, ativar a concentração e apoiar a saúde mental e física. Porém, caso feito de maneira errada e displicente, pode deixá-lo grogue, desorientado e com dificuldades para adormecer mais tarde. A chave para entender essas reações está em como o corpo regula o sono e a vigília.
Ciclos de vigília e cansaço
O sono no período da tarde não ocorre apenas por conta de um almoço pesado. A maioria das pessoas experimenta uma queda natural no estado de alerta no início da tarde, normalmente entre 13h e 16h. Nosso relógio biológico interno, ou ritmo circadiano, cria ciclos de vigília e cansaço ao longo do dia. Portanto, tal sonolência faz parte desse ritmo, e é por isso que muitos se sentem sem forças naquele horário.
Uma medida para neutralizar esse cansaço é tirar cochilos curtos durante o período. Estudos sugerem que a soneca perfeita tenha cerca de 20 minutos e deve ser seguida por exposição à luz brilhante, justamente para mitigar a fadiga e aumentar o estado de alerta. Além disso, as recomendações apontam para melhorar a função cognitiva sem interferir no sono noturno.
Entretanto, cochilos mais longos podem fazer com que você acorde “mais cansado” do que antes. Especialistas apontam para a “inércia do sono” nestes casos, quando se desperta durante os estágios mais profundos do sono. Quando a soneca se estende por mais de 30 minutos, o cérebro faz a transição para o sono de ondas lentas, tornando muito mais difícil acordar. Estudos mostram que despertar de um sono profundo pode nos deixar mais lentos por até uma hora.
Ainda vale ressaltar: se um cochilo for tirado muito tarde durante o dia, o impulso natural do corpo para dormir acaba comprometido. Isto dificulta bastante o adormecer à noite.
Quando e como cochilar bem depois do almoço?

Para obter o máximo benefício de um cochilo vespertino, especialistas recomendam atenção ao tempo e ambiente. Uma soneca eficaz deve durar entre dez e 20 minutos, evitando que o corpo entre em fases mais profundas do sono. Preferencialmente, esse descanso deve acontecer antes das 14h, pois cochilos tardios podem interferir no ciclo natural de sono noturno.
Em ambientes profissionais, os cochilos estratégicos têm mostrado resultados impressionantes. Estudos da NASA revelaram que um descanso de apenas 26 minutos pode aumentar o desempenho de equipes de voo em 34% e elevar o estado de alerta em 54%. Não por acaso, profissionais de saúde e trabalhadores em funções de alta concentração também adotam essa prática para reduzir erros relacionados à fadiga.
O ambiente para uma boa soneca segue as mesmas regras do sono noturno: local fresco, escuro e silencioso. Para quem não tem tais condições para um cochilo pós-almoço, máscaras para os olhos e fones podem ser aliados valiosos.
É importante ressaltar que, apesar dos benefícios comprovados, a prática de cochilar não é universal e muda de pessoa para pessoa. Fatores como idade, estilo de vida e padrões individuais de sono determinam se as sonecas serão benéficas ou prejudiciais para cada indivíduo.
Por fim, o cochilo ideal depende de uma estratégia personalizada – compreender quando, como e se essa pausa para descanso se encaixa em sua rotina.