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Haidy Lourenço Dias Voigt Boaventura. (Foto: Orlando Simenton).

A fraternidade e o acolhimento sem julgamentos são fundamentais no enfrentamento da violência contra a mulher, segundo destacou Haidy Lourenço Boaventura, integrante da Ordem Franciscana Secular, durante entrevista exibida nesta sexta-feira (12) no programa Foco 96, da Rádio 96 FM, dentro da campanha “Não Me Mate! Mais uma, Menos Uma. Até quando?”.

A entrevistada defendeu uma escuta acolhedora às vítimas e afirmou que o apoio emocional e espiritual pode ajudar mulheres em situação de violência a reconstruírem a confiança e romperem ciclos de sofrimento.

“A fraternidade é o ponto central para esse acolhimento. Cristo nos ensina a amar o próximo e olhar além, sem julgar. Muitas pessoas que sofrem violência ficam desconfiadas e têm medo de se abrir. Quando há uma escuta acolhedora, sem julgamento, elas conseguem confiar e compartilhar a dor que estão vivendo”, afirmou.

Segundo Haidy, mulheres violentadas e crianças expostas a ambientes de agressão costumam desenvolver medo, insegurança e dificuldades para pedir ajuda. Para ela, o acolhimento precisa partir de uma postura empática e humana.

“Muitas vezes as pessoas pensam apenas na agressão física, mas o emocional dessa mulher fica profundamente abalado. Ela perde o sentido da própria vida. Em muitos casos, passa apenas a cumprir um papel, sem conseguir enxergar valor em si mesma”, disse.

Durante a entrevista, a integrante da Ordem Franciscana também comentou interpretações religiosas que, historicamente, acabaram incentivando mulheres a permanecerem em relações abusivas. Ela defendeu uma leitura da fé baseada na misericórdia e no respeito à dignidade humana.

“A igreja deve acolher. Nós não podemos fazer interpretações que machucam ou aprisionam as pessoas. O acolhimento vem primeiro. Deus é misericordioso e nós precisamos olhar para o outro com humanidade, entendendo as situações da sociedade e respeitando a dignidade das pessoas”, pontuou.

Haidy ainda chamou atenção para os efeitos da violência psicológica, que, segundo ela, podem deixar marcas profundas e duradouras nas vítimas. A entrevistada defendeu que o problema seja tratado como responsabilidade coletiva e não apenas como uma questão privada entre agressor e vítima.

“Como sociedade, precisamos criar redes de apoio e amenizar essa realidade. Um ambiente violento gera traumas, enquanto um espaço acolhedor oferece proteção, confiança e cuidado. Não é um problema privado. É uma responsabilidade coletiva”, destacou.

Na reta final da conversa, Haidy deixou uma mensagem de esperança às mulheres que enfrentam situações de medo, sofrimento ou violência e reforçou a importância de reconhecer a própria dignidade.

“Essas mulheres precisam entender que são amadas e têm dignidade. Elas não estão sozinhas. São amadas por Deus, que olha com misericórdia para cada uma e oferece força para continuar lutando”, concluiu.

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