O advogado criminalista Eugênio Lourenço Dias afirmou, durante entrevista ao programa Observatório, da Rádio 96 FM, que a trajetória do ministro Alexandre de Moraes pode ficar comprometida diante das revelações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
Segundo o especialista, as informações conhecidas até o momento não seriam suficientes para caracterizar crimes mais graves, como corrupção ativa ou passiva. Ainda assim, na avaliação dele, os episódios podem atingir a credibilidade do ministro.
“Agora, a história de Alexandre de Moraes, enquanto ministro, está indelevelmente maculada. Tudo o que ele construiu em defesa da democracia e da soberania nacional, todas as atitudes que tomou, a história dele, vai ficar, daqui em diante, indelevelmente manchada”, afirmou Eugênio.
O criminalista apontou ainda a possibilidade de enquadramento em advocacia administrativa, caso seja comprovado que Moraes utilizou a posição que ocupa para defender ou auxiliar interesses particulares.
Eugênio ressaltou, porém, que as investigações ainda estão em andamento. Até o momento, não há denúncia ou conclusão que estabeleça responsabilidade criminal do ministro pelos fatos mencionados.
Para o advogado, os questionamentos não se limitam à esfera penal e podem ter reflexos na imagem institucional de Moraes. “Daqui para frente, ele vai ter que conviver com essa marca na sua história e, principalmente, com o questionamento sobre a sua credibilidade.”
Entenda o caso
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (1º) apontam possíveis contatos entre o banqueiro e Alexandre de Moraes. Segundo a Polícia Federal, Vorcaro teria recorrido ao ministro para tratar de assuntos relacionados às investigações contra ele e ao Banco Master.
As conversas indicam que Vorcaro pediu a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O banqueiro também teria consultado o ministro sobre possíveis ações da PF antes de sua prisão, em novembro de 2025.
A PF identificou o envio das mensagens para o celular de Moraes, mas não conseguiu recuperar as respostas do ministro. O material também aponta uma relação profissional entre o Banco Master e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, por meio de um contrato de R$ 131 milhões.
Assista a entrevista à íntegra
https://www.youtube.com/live/_ujG-CBIcic?si=ZLqLqC7adrua0dca&t=1375