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Segundo turno acontece neste domingo (25). (Foto: Antonio Augusto/TSE)

Um levantamento inédito do Laboratório de Estudos Sócio Antropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), mostra que 81% dos brasileiros consideram fundamental que seus candidatos nas eleições acreditem em Deus.

A percepção é mais forte entre as classes mais pobres, 89% entre quem ganha até um salário mínimo, do que entre os mais ricos, com 57% na faixa de 10 a 20 salários mínimos.

Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (19) na abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo a pesquisa, 74% concordam que Deus torna as pessoas melhores, taxa que sobe a 86% entre os mais pobres, e 82% defendem que as escolas ensinem crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

Apesar disso, a socióloga Christina Vital, da UFF, observou que essa valorização de Deus não se reflete em maior confiança nas instituições religiosas. A Igreja Católica é a mais confiável do país, com 56% de credibilidade, seguida pelas igrejas protestantes (51%) e pelos centros kardecistas (19%).

Laicidade do Estado

O estudo também aponta que 54% dos entrevistados defendem que o Estado não seja laico, o que Christina relaciona a uma confusão conceitual sobre o significado da laicidade.

“Existe confusão sobre o que é laicidade. Quando perguntadas sobre isso, ouvimos muitas coisas diferentes e que não se relacionam com a separação entre religião e Estado”, disse.

Religião instrumentalizada

Já o pesquisador Michel Gherman, da UFRJ, avalia que tem ocorrido a instrumentalização de valores religiosos em um projeto político de retorno a um passado idealizado.

Nessa mesma linha, Vital complementa que existe uma retórica universal da perda de algo, no presente, que havia no passado. “E ela atravessa a cor da pele, as classes sociais, o gênero, etc.”.

Para ela, tal medo não tem uma conformação política única, mas tem contornos mais à esquerda e outros mais à direita. “No campo do gênero, por exemplo, é de onde surge a ideia de que as mulheres adquiriram espaços sociais que não deviam”, concluiu.

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