ANÁPOLIS GOIÁS
MANHÃ DA SÃO FRANCISCO
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Encontros compulsórios buscam reduzir reincidência nos casos de violência doméstica (Foto: Reprodução)

Além de apenas punir, a Justiça tem encaminhado homens acusados de violência doméstica em Anápolis para grupos reflexivos, baseados na ideia de justiça restaurativa.

A proposta, segundo o psicólogo André Alvares Usavicius, é entender as causas estruturais da violência e reduzir a reincidência por meio de reflexão.

Especialista em Psicologia Jurídica e Avaliação Psicológica, ele coordena tais grupos em Anápolis e conversou sobre o tema como parte da campanha “Não Me Mate! Mais uma, menos uma. Até quando?”, da Fundação Frei João Batista Vogel (FFJBV).

Como funcionam os encontros

Para muitos homens intimados a participar dos encontros, a primeira reação é a negação. Na última sessão, conforme Usavicius explica, é comum ver até abraços.

Os participantes são intimados pela Justiça a partir de uma denúncia de violência doméstica e passam por dez encontros semanais, com temas como masculinidade, tipos de violência e paternidade.

Segundo o psicólogo, os grupos não discutem se o participante cometeu ou não a agressão, mas trabalham reflexões sobre comportamentos normalizados socialmente.

“Ele está ali intimado, então a gente vai trabalhar esses temas independente do que eles possam ter cometido”, afirmou.

Ao final, recebem um certificado que é apresentado ao juiz para dar seguimento ao processo.

Resistência inicial

Ao longo das semanas, depois da resistência de início, muitos passam a reconhecer comportamentos violentos antes vistos como normais.

Um dos temas que mais provoca reação, segundo ele, é a paternidade, quando os homens relembram experiências da própria infância e o impacto que seus comportamentos podem ter sobre os filhos.

Ele observa ainda que é comum os participantes tentarem justificar a violência por motivos morais, atribuindo a agressão a uma suposta traição, o que reflete uma visão cultural enraizada sobre relações afetivas.

“Tem as falas de que ‘hoje as mulheres tem muito direito’, ‘pode falar mais nada’, ‘ameacei de morte, mas isso é normal, estava com a cabeça quente’, ‘Ela me provocou’. É muito comum esse tipo de discurso”, cita exemplos.

Educação como prevenção

Para Usavicius, os grupos reflexivos atuam depois que a violência já ocorreu, como forma de evitar reincidência e escalonamento da situação.

No que diz respeito à prevenção de formas de violências contra as mulheres, o psicólogo aponta a educação desde a infância, com discussões sobre gênero e papéis sociais, como a forma mais efetiva.

“Quando a gente mostra que isso é social e não uma coisa natural, eu vejo que estamos avançando pra esse tipo de prevenção. Mas falamos isso para as gerações futuras. As de agora, já está o estrago feito”, conclui.

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