A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) emitiu, na sexta-feira (21), o resultado da análise laboratorial das amostras coletadas em frigorífico clandestino em Anápolis. A suspeita de que as carnes localizadas no galpão, no bairro Vila União, fossem de cavalos acabou confirmada através de laudo do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA).
Para chegar ao resultado, foram coletadas cinco amostras, com pedaços de carcaça e músculos fatiados, em diferentes locais onde os produtos estavam armazenados na fábrica clandestina.
Todo o material foi encaminhado para análise e houve a constatação de que todas as carnes apresentavam DNA 100% equino e nada de traços de DNA bovino. O laudo já foi encaminhado para a Polícia Civil, que está conduzindo o inquérito sobre o caso.
No local onde as carnes foram encontradas, havia indícios de que o material era moído e utilizado na fabricação de hambúrgueres para disfarçar o sabor característico. Na toada dos fatos, especulações entre a população começaram a surgir sobre quais estabelecimentos comerciais de Anápolis estariam comprando e revendendo os hambúrgueres equinos. Porém, ainda não há informação acerca dos compradores por parte da Polícia Civil.

Relembre o caso
As carnes foram encontradas e apreendidas durante operação realizada em 11 de março. A ação resultou na localização e interdição de uma fábrica clandestina de produtos cárneos na Vila União, em Anápolis. No local, que apresentava condições sanitárias precárias, foram encontrados 790 quilos de carne irregular.
“O que encontramos no local foi um ambiente insalubre, com sangue no chão, equipamentos contaminados e freezers sujos e quebrados. Independentemente da origem da carne, o processamento sem fiscalização compromete a segurança do alimento à população”, pontua Marcelo Sales, coordenador da Unidade Regional Rio das Antas da Agrodefesa em entrevista exclusiva ao repórter Jonathan Cavalcante.
Todos os produtos foram apreendidos e descartados no aterro sanitário do município. Embora o consumo de carne equina não seja proibido no Brasil, o processamento sem fiscalização e em condições sanitárias inadequadas representa um grave risco à saúde pública.
A ação foi um desdobramento de outra operação, realizada dois dias antes, que resultou no fechamento de um abatedouro clandestino de cavalos. No local, foram encontrados cerca de 40 animais em condições degradantes dentro de uma área de preservação ambiental.
Além disso, havia evidências do abate irregular, como sangue, vísceras, couro e ossadas espalhadas pelo terreno. A primeira ação, contudo, foi desencadeada após denúncias de moradores sobre forte mau cheiro e a presença de urubus no local, indicativos da atividade ilegal.
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