Pacientes que aguardam cirurgia cardíaca na rede municipal de saúde de Anápolis podem esperar até 10 semanas para serem operados, segundo denúncia feita pelo vice-prefeito e médico Walter Vosgrau (PSDB).
Em entrevista ao programa Painel Diário nesta semana, ele afirmou que a fila atual soma cerca de 30 pacientes e que parte deles pode morrer antes de conseguir a cirurgia.
“Se eu opero três por semana, o doente que entrar hoje vai levar 10 semanas. Alguns vão morrer na fila. Aí eu denunciei isso lá no Ministério Público”, disse.
Vosgrau também relatou demora no encaminhamento de pacientes infartados para cateterismo na UPA, procedimento que precisaria ser feito em até seis horas para preservar o músculo cardíaco.
Segundo ele, doentes têm permanecido de dois a cinco dias na unidade sem acesso ao procedimento.
O vice-prefeito de Anápolis atribuiu a redução no número de cirurgias, de uma média histórica de cinco por semana para três ou quatro, à diminuição de leitos de UTI e de enfermaria no Hospital Evangélico.
Outro ponto levantado por Vosgrau é a estrutura de urgência no Hospital Municipal Alfredo Abrahão, onde, segundo ele, apenas dois cirurgiões atendem em plantões de 12 horas, encerrando o atendimento às 19h.
“E o que é grave nisso? O que é muito grave? Se você tiver uma apendicite às 8 da noite, não tem quem te opere”.
O que diz a Prefeitura de Anápolis
Em resposta às declarações do vice-prefeito, a Prefeitura de Anápolis informou, por meio do líder do governo de Márcio Corrêa (PL) na Câmara Municipal, José Fernandes (MDB), designado como porta-voz da Secretaria Municipal de Saúde para este esclarecimento, que pacientes com infarto em situação de urgência são encaminhados ao Hospital Evangélico por meio do protocolo de Vaga Zero.
Previsto no Sistema Único de Saúde (SUS), o procedimento garante atendimento imediato a pacientes em estado crítico ou com risco iminente de morte.
Segundo ele, “hoje, nessas três [Unidades de Pronto Atendimento], absolutamente não tem nenhum paciente cardiopata em urgência para ser atendido”.
Sobre a fila de cirurgias cardíacas, José Fernandes negou que tenha ocorrido redução de leitos de UTI e enfermaria no Hospital Evangélico. Ele acrescentou que a assistência aos pacientes de alta complexidade ocorre por meio de uma rede integrada, envolvendo município, Estado e Governo Federal.
Em relação ao Hospital Municipal Alfredo Abrahão, o porta-voz disse que “em Anápolis existe assistência de cirurgia geral 24 horas”. Segundo ele, pacientes que não puderem ser atendidos na unidade em determinado horário são regulados para outros hospitais e “não vai morrer aqui no hospital sem assistência“.
Questionado sobre a denúncia ao Ministério Público mencionada pelo vice-prefeito, José Fernandes afirmou desconhecer qualquer provocação ao órgão sobre esse caso e disse que não poderia responder pela Secretaria Municipal de Saúde.
*Colaborou Aglys Nadielle