ANÁPOLIS GOIÁS
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Foto: Getty Images

O avanço do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais altas, irregularidade nas chuvas e agravamento da seca em Anápolis no segundo semestre de 2026. A avaliação é do gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, em entrevista à Rádio São Francisco.

Apesar do cenário de atenção, o especialista afirma que ainda é cedo para confirmar um “super El Niño”. Segundo o meteorologista, o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial vem sendo monitorado diariamente e já apresenta sinais de fortalecimento. Atualmente, a temperatura do oceano está cerca de 0,7°C acima do normal, após ter chegado a 0,8°C nas últimas semanas.

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Gráfico mostra acompanhamento do Cimehgo em 2026. (Fonte: Cimehgo).

Pelas projeções analisadas pelo Cimehgo, há mais de 80% de chance de o El Niño se confirmar, com possibilidade de intensidade entre moderada e forte. No entanto, André Amorim pondera que os modelos meteorológicos ainda trabalham com estimativas e que o comportamento do fenômeno pode mudar nos próximos meses.

“Apesar das pessoas estarem colocando a situação assim, como vai acontecer um super El Niño, tudo isso que está sendo falado é sobre suposições”, reforça.

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Nova previsão do Cimehgo com base nas últimas avaliações. (Fonte: Cimehgo).

Em Anápolis, os impactos podem ser sentidos principalmente a partir do retorno do período chuvoso. Conforme o especialista, outubro, que normalmente já registra precipitações, pode ter ondas de calor intensas e atraso na regularização das chuvas. Em vez de máximas entre 27°C e 28°C, a cidade pode enfrentar temperaturas próximas dos 34°C.

“Poderemos ter uma repetição de um El Niño de moderada a forte intensidade, como aconteceu mais recentemente em 23 e 24″, reforçou.

Impacto na agricultura

O cenário também pode trazer consequências para a zona rural. A irregularidade das chuvas tende a atrasar o calendário agrícola, dificultando o plantio e aumentando o risco de perdas nas lavouras. “Planta e perde”, resumiu o gerente ao citar os prejuízos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024, quando produtores precisaram replantar após longos períodos sem chuva.

“Quando voltar nosso período de chuvas, ele vai ter dificuldade de retorno, porque com o El Niño ativo, esse retorno fica mais comprometido”, reforçou André.

Além dos impactos econômicos, o fenômeno pode agravar problemas respiratórios devido à baixa umidade do ar e ao aumento das queimadas, situação comum em períodos prolongados de estiagem no Brasil Central.

Enquanto o Sul do país costuma registrar excesso de chuva durante episódios de El Niño, com enchentes e alagamentos, Goiás tende a enfrentar um cenário oposto, marcado por calor, estiagem e maior dificuldade no retorno das chuvas.

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Gráfico do Cimehgo mostra como fenômeno atua no Brasil.

Apesar dos alertas, o Cimehgo reforça que ainda não há confirmação de um “super El Niño”, caracterizado por aquecimento superior a 2°C no Pacífico. A recomendação é acompanhar os boletins meteorológicos, já que as projeções podem sofrer alterações ao longo dos próximos meses.

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