• Dezembro Laranja: mês de prevenção ao câncer de pele Segunda-feira, 30/12/2019 às 08:12:45
    Weber Witt 
     
    A exposição excessiva ao sol e sem o uso de filtro solar são fatores de risco para desenvolver câncer de pele. Em um país ensolarado como o Brasil é preciso ficar alerta para os sintomas da doença e a importância do diagnóstico precoce. Anualmente ocorre a campanha Dezembro Laranja para levar à população informações sobre a doença.
     
    O câncer de pele é o mais frequente no Brasil e no mundo, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Ministério da Saúde. Além da exposição prolongada e repetida ao sol, principalmente na infância e adolescência, outros fatores de risco são: ter pele e olhos claros, ser albino e ter vitiligo. Também estão mais vulneráveis as pessoas com histórico da doença na família e quem faz tratamento com medicamentos imunossupressores.
     
    Sintomas e tratamento
     
    O sinal de alerta deve acender quando surgem manchas na pele que coçam, ardem, descamam ou sangram e também em caso de feridas que não cicatrizam em quatro semanas. Esses sintomas podem ser indicativo do câncer de pele não melanoma, que ocorre principalmente nas áreas do corpo mais expostas ao sol, como rosto, pescoço e orelhas. O tipo não melanoma ocorre com maior frequência e tem baixa taxa de mortalidade, mas pode causar deformações.
     
    Já o câncer do tipo melanoma, forma mais grave do tumor, pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Essas lesões costuma ter formato assimétrico, bordas irregulares, mais de uma cor e mudar de tamanho de forma rápida. O melanoma ocorre mais raramente e pode levar à morte.
     
    O chefe do departamento de Dermatologia do Inca, Dolival Lobão, destacou que o diagnóstico precoce é fundamental a cura da doença. Segundo ele, o ideal é fazer uma consulta anual com o dermatologista como forma de prevenção.
     
    “Em relação ao melanoma, conseguimos curar mais de 90% dos casos, desde que ele seja diagnosticado e tratado no início. Depois que ele aprofunda na pele, fica mais difícil. E o câncer não melanoma é uma ferida que vai crescendo, estendendo-se cada dia mais, e se você tira ela no início, ela não cresce mais e acabou, está curado”, explicou Lobão.
     
    O médico ressalta que o tratamento mais comum é a retirada da lesão por meio de cirurgia. “O padrão ouro de tratamento é a cirurgia. No entanto, o câncer de pele não melanoma a gente tem hoje diversas outras opções de tratamento, como a quimiocirurgia, a criocirurgia, mas realmente o padrão ouro é a cirurgia”.
     
    E completou: “Em relação ao melanoma, em início, a gente trata também com a cirurgia. O melanoma que já está levando o paciente a óbito hoje existem diversas drogas novas que são utilizadas para o tratamento desse câncer”, disse.
     
    Casos
     
    No Brasil, o INCA estima o diagnóstico de 85.170 casos novos de câncer de pele não melanoma entre homens e 80.410 em mulheres a cada ano. Esses números correspondem a um risco estimado de 82,53 casos novos a cada 100 mil homens e 75,84 para cada 100 mil mulheres.
    Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada, porém sua ocorrência é considerada baixa com estimativa de 2.920 novos casos em homens e 3.340 em mulheres por ano.
     
    Como se proteger
     
    As dicas do Inca para proteger a pele são evitar exposição prolongada ao sol entre 10 e 16 horas. Quando estiver no sol, usar bonés ou chapéus, óculos escuros com proteção UV e sombrinhas. É importante também passar protetor solar com fator de proteção 15, no mínimo, e reaplicar o produto a cada duas horas e sempre após ter entrado na água. O uso de proteção é necessário também em dias nublados.
     
    “Comprovadamente, 65% do total dos cânceres de pele são provocados pela radiação ultravioleta, principalmente a emitida pelo sol. Então, apostamos muito na prevenção. O ideal é que as pessoas nãos se exponham ao sol. E o uso do protetor solar hoje é fundamental”, avaliou o médico Dolival Lobão. O Inca ainda alerta que as tatuagens podem esconder lesões, portanto, merecem atenção.
     
    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil | Com informações do Governo do Brasil