• Organizações católicas denunciam: "a extrema pobreza viola os direitos humanos" Sexta-feira, 18/12/2015 às 14:31:03

    A extrema pobreza viola os direitos humanos, esta é a ideia central do manual apresentado nesta quinta-feira na sala de imprensa da Santa Sé, intitulado "Making Human Rights Work People Living in Extreme Poverty: a Handbook for Implementing the UM Guiding Principles on Extreme Porverty and Human Rights” (Fazendo que os Direitos Humanos funcionem para as pessoas que vivem na Pobreza Extrema: um Manual para a Aplicação dos Princípios Guias da ONU sobre a Pobreza Extrema e os Direitos Humanos).

    Realizado por “Franciscanos Internacionnal”, por ocasião do Jubileu da Misericórdia, o manual está destinado a defender os direitos humanos das populações que vivem em extrema pobreza, e explica em uma linguagem acessível as linhas mestras das Nações Unidas sobre o tema. Um documento muito importante da ONU porque reconhece que viver na pobreza extrema é uma violação dos direitos humanos, ou seja, não somente um tema econômico, mas um fenômeno que envolve a pessoa e lhe impede de viver de forma digna. A finalidade do manual é ajudar também a se cumprir o objetivo de eliminar a pobreza em 2030. A eliminação da pobreza extrema não é apenas um direito moral, mas também jurídico, de acordo com a legislação vigente de direitos humanos.

    Um dos pontos-chaves da declaração das Nações Unidas, e que está explicado pelo manual, é que a extrema pobreza não é uma situação inevitável perpetuada por ações ou omissões dos estados, e que existem meios para erradica-la. Além do mais a ideia de capacitar as pessoas para que se tornem agentes de mudança. Elas devem participar das políticas que lhes correspondem. Embora não exista uma linha de demarcação clara entre a pobreza e a extrema pobreza, esta última cria um círculo vicioso de exclusão e discriminação. Ou seja, a diferença está entre uma pobreza com futuro e uma pobreza sem futuro.

    Falaram também: o bispo brasileiro Bernardo Johannes Bahlmann, OFM, o secretário geral da Caritas Internationalis, Michel Roy; o ministro geral da Ordem Franciscana dos Frades Menores, o Pe. A. Perry; o advocacy diretor de Franciscans International, Francesca Restifo; e o delegado de ATD Fourth World, Jean Tonglet.

    O ministro geral dos franciscanos por sua vez, depois de recordar a dignidade que merece a pessoa humana, recordou o indicado pelo documento ONU: “Todas as políticas relacionadas com a pobreza têm que ter em vista conferir capacidades às pessoas que estão em tais condições, devem basear-se no reconhecimento do direito destas pessoas e para que possam tomar as suas decisões e respeitar a possibilidade de realizar o próprio sentido da dignidade, e o seu direito a participar nas decisões que afetam toda a sua vida”. Os valores destes princípios orientadores, bem explicados neste manual, "estão claramente expostos – disse – nos objetivos de desenvolvimento social que a família franciscana afirma vigorosamente e ativamente a nível local, nacional e internacional”.

    Por Zenit